Como mudei de casa (quase) sem stress

📘  Artigo escrito por Gaiacasas

⌛  ago 1, 2022 | Tempo de leitura 5m

Como mudar de casa



Copywriter

Depois de mudar de casa umas quantas vezes, sei que pode ser assustador. Dicas não faltam, mas já as conhecemos de cor. Reuni algumas dicas extra que aprendi com a minha experiência (boa e má).

Entre setembro de 2019 e janeiro de 2021 vivi em 4 casas diferentes, com as suas respetivas mudanças. Só por si, já seria um tanto ou quanto assustador. Agora juntar a tudo isto o facto de ter uma criança de colo e – qual cereja no topo do bolo – estarmos desde março de 2020 a viver em plena pandemia… sim, foi uma loucura. Ainda assim, entre erros e acertos, a experiência trouxe conhecimento.

Sei que se tivesse que mudar agora de casa – ainda que não tenha saudades! - o faria com a vantagem de saber o que se deve, ou não, fazer. Provavelmente mudaria quase sem stress. É este ”quase" que serve de primeira dica.

Aceite que vai sempre haver algum stress

Sejamos honestos, imprevistos podem e vão acontecer. Além disso, por muito que sejamos calmos e organizados, a sensação de ter todos os nossos pertences em caixas e malas, desalinha a concentração de qualquer um.

Assim, a minha dica é: entenda que vai passar por uma fase em que o stress é normal e que não vai conseguir ser tão produtivo, nem tão descontraído como quando já estiver devidamente instalado. A gestão das suas próprias expectativas é o primeiro passo.

Tenha expectativas realistas

Quero com isto dizer: não espere que tudo fique impecável no primeiro dia. Conforme a dinâmica de cada família, pode demorar dias, semanas ou mesmo meses até que tudo esteja a fluir naturalmente.

Também é importante ter uma perspetiva modesta sobre as suas próprias capacidades. Não aceite muitos compromissos não essenciais para esta fase. Resista à tentação de marcar logo uma data para festejos de inauguração com família ou amigos. Pode não estar ainda tudo como deseja e vai gerar ainda mais nervosismo se tiver uma data marcada para receber convidados.

No entanto, há uma boa razão para querer família e amigos em sua casa: se vierem para ajudar.

Aceite e peça ajuda

Não há dúvida: ter uma rede de apoio foi para mim fundamental em cada mudança.

Entre a venda da primeira casa, que só esteve anunciada dois dias, e a compra de outra, vivi em casa de familiares.

Além disso, munida de toda a ajuda possível, montar móveis e organizar tudo foi bem mais fácil. Se pensar bem, há sempre alguém que pode olhar pelas crianças, fazer uma refeição ou dar uma ajuda com aquele móvel que insiste que não quer ser montado. Não tenha vergonha de pedir ajuda.

“Destralhar” antes da mudança

Quando mudei da minha primeira casa, estive 3 meses em casa de familiares. Obviamente que tivemos que ser seletivos na quantidade de coisas a levar.

Mas o pior veio depois: a casa que entretanto comprámos era quase metade do tamanho da primeira casa. Além disso, estávamos a mudar do Algarve para Lisboa, portanto, não era bem ali ao lado. Confesso que, apesar de me ter desfeito de muitas coisas antes de começar a encher caixotes, devia ter sido ainda mais radical, mas o tempo disponível para fazer a mudança não era muito abundante.

Na última mudança foi tudo diferente. É verdade que viemos para uma casa muito maior, mas meses antes da mudança, dei comigo a olhar para cada objeto e a pensar se devia ficar ou ir fora. Quando chegou a altura da mudança propriamente dita, já só empacotei o que realmente era necessário. Todas as outras peças que não queria, inclusive móveis, vendi, dei, ou desfiz-me pura e simplesmente.

Por isso a altura de “destralhar” é antes. E vale para tudo, desde roupa a decoração e móveis.

A empresa de mudanças certa

Esta foi talvez uma das coisas mais complicadas. O orçamento era apertado e uma mudança que envolve um percurso de quase 300 quilómetros, tem tudo para se tornar uma odisseia.

Francamente, recomendo que não se escolha só o orçamento mais baixo. É importante saber se a empresa de mudanças está devidamente certificada e fazer alguma pesquisa de feedbacks de clientes na internet.

Aconselho a fazer perguntas sobre a desmontagem dos móveis, como vão ser embalados e que materiais vão ser usados.

A minha experiência nessa mudança Algarve-Lisboa não foi muito agradável, apesar de não ter ido mesmo ao mais barato. Era suposto todos os elementos terem sido desmontados, mas vários não foram e, em consequência, tive várias peças de mobiliário danificadas. Para cúmulo, pediram-me para descarregar apenas no dia seguinte porque já era muito tarde. Até aí tudo bem, eu não punha entraves. Só que ninguém me disse que a carrinha deixava entrar água e nessa noite choveu torrencialmente. Resultado: vários móveis e um colchão apanharam água.

Resumindo: não escolham o mais barato. Escolham o mais seguro e o que vos transmita maior confiança.

Aconselho ainda que acompanhem a carga e descarga dos vossos pertences, sem atrapalhar claro. Assim vai ser mais fácil detetar possíveis problemas.

Na última mudança, como já estava na minha cidade de origem, pedi a um amigo da família, que trabalha no ramo, para fazer a mudança. Fez uma coisa que acho fundamental: veio ao apartamento e tomou nota, peça por peça, do que teria que levar, verificando o que podia ser desmontado ou não. Escusado será dizer que correu tudo impecavelmente. Isto para dizer que é importante que alguém da empresa realmente veja os itens a transportar antes de marcarem a mudança.

Facilitar o dia-a-dia durante a mudança

Para tornar o dia da mudança e os dias seguintes mais “suaves” para o sistema nervoso, há que planear com antecedência e depois ser suficientemente flexível para ajustar os planos.

Só consegui fazer isto na última mudança, mas acho que é excelente “fazer malas” para esses dias. Coloque numa mala ou mochila o que precisa para os primeiros dias na casa. Roupa, artigos de higiene, documentos de trabalho, brinquedos para as crianças, calçado, enfim, tudo o que sabe que vai precisar. Calcule quantos dias vai precisar até começar a ter tudo nos armários e faça as malas.

Para quem tem bebés ou crianças pequenas, algo que experimentei e funciona foi fazer refeições antecipadamente e congelar para esses dias. Claro que também já encontramos no supermercado refeições prontas e de qualidade para os bebés, mas se preferir que comam comida caseira, faça antes e congele em doses individuais. Mas não se esqueça que não vai ter logo o seu congelador a funcionar, portanto terá que pedir a alguém para as manter no congelador até tudo estar operacional em sua casa.

Ainda sobre as crianças é importante ter em conta que, se para os adultos uma mudança é uma época de stress, para elas é muito mais. Na última mudança, com uma criança com menos de dois anos, apercebi-me que é importante manter alguma “normalidade” para eles. Vai ser tudo novo e pode causar medo. De repente a casa onde viviam já não está ali e é tudo desconhecido. Tenha a certeza que traz os brinquedos favoritos na tal mala dos primeiros dias. Ter as músicas favoritas deles no telemóvel também é um bom recurso para acalmar algum stress. É importante que os “rituais” de comer, dormir, tomar banho e outros sejam mantidos, ainda que no meio do caos duma casa desordenada.

Passo-a-passo

É importante olhar para a mudança de casa como algo a ser feito por etapas. Ajuda muito se tiver uma lista de tudo o que tem que ser feito em cada divisão. Como faço listas para tudo, as mudanças não foram exceção e funcionou perfeitamente.

No meu caso, em todas as mudanças optei por fazer logo a identificação por fora dos caixotes com a descrição do respetivo conteúdo e a que divisão pertencia. Depois é uma questão de priorizar. Começar por limpar e arrumar um quarto, cozinha e uma casa de banho, por exemplo, porque são as coisas essenciais. Arrumar louça que só usamos com visitas ou roupa fora da estação, são coisas que podem esperar para mais tarde.

Às vezes, o perfecionismo pode atrasar-nos a vida. Se estivermos a olhar para cada objeto à espera de o arrumar no sítio perfeito, vamos demorar meses.

Se formos exageradamente rápidos a despejar caixotes e simplesmente enfiarmos tudo à toa dos armários, vamos perder a noção de onde temos as nossas coisas.

A um ritmo razoável, é possível arrumar com alguma lógica. Mais tarde, se necessário, faremos os ajustes.

Higiene e segurança

A última mudança que fiz foi para uma casa que tínhamos remodelado por completo. Não ficou nada por demolir nela, portanto, dá para imaginar a quantidade de pó e sujidade que ficou no fim, apesar da empresa de remodelações ter feito uma pequena limpeza.

Para ajudar, uma vez que tinha mesmo que sair da casa onde estava numa certa data, não houve como limpar antes da mudança, pois a obra terminou exatamente na véspera da data em que íamos mudar.

Limpar com a casa vazia é muito importante, principalmente se foi alvo de remodelações. Aconselho, vivamente, a que o façam ou que, se tiverem orçamento, contratem quem o faça.

Se tiverem crianças e no meio duma pandemia, em que a higiene é fundamental, sugiro que preparem em primeiro lugar uma divisão segura para eles poderem estar, sem riscos de qualquer espécie e sem caixotes ou móveis por montar, que podem causar acidentes.

É verdade que temos pressa e queremos voltar a ser nós próprios outra vez (sim, ficamos sempre um tanto perdidos quando mudamos de casa), mas a segurança tem que estar em primeiro lugar.

Em resumo, é possível passar por uma mudança de casa sem perder a sanidade mental. Só que dá trabalho e exige muita organização e muito planeamento. Vá, e uma boa dose de paciência e descontração também.

Mas vale a pena fazer um esforço e ter boas memórias. Pode ser uma fase muito divertida em família. Aproveite, desfrute e faça boas escolhas.


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Até já
Miriam Correia



copywriter
Gaiacasas

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